Um Lindo Dia Na Vizinhança: Do cinema para sua vida

Um Lindo Dia Na Vizinhança, é um filme com direção feminina de Marielle Heller e com a presença do ator incrível, Tom Hanks que neste filme, dá vida a Mr Rogers, personagem que conquistou tanto ao público quando a industria de Hollywood, ao render para o ator, sua sexta indicação ao Oscar de 2020.
O longa conta a história de Lloyd Vogel, interpretado por Matthew Rhys, um jornalista, com problemas familiares e com a característica de destruir a reputação de seus entrevistados em suas matérias, até o momento em que ele é escalado para entrevistar Mr. Roberts, o protagonista e criador do programa infantil de 1960, "Um Lindo dia na Vizinhança".
A trama dramática, é intensa e carrega todo o tempo o contraste marcante entre o jornalista Vogel e a personalidade marcante de Roberts, em um cenário em que Vogel apenas quer fazer seu trabalho, ao mesmo tempo em que lida com intrigas familiares e em que Roberts, é um homem calmo, que já na beira da meia idade, utiliza de seu programa apenas para a transmissão de mensagens pouco abordadas para crianças, mas que acabam por ter uma mensagem muito filosófica também para os adultos; como por exemplo a bondade de cada um, a solidariedade, a amizade, a forma de lidar com os sentimentos e até mesmo uma nova visão de mundo frente a morte.
O longa desde o inicio nos coloca como espectadores do programa infantil, em uma mesma visão de mundo de Vogel, uma visão de ser apenas um programa infantil e bobo, com muitos musicais e fantoches, mas posteriormente, junto de Vogel, vamos compreendendo a verdadeira importância do programa e a verdadeira e fascinante personalidade de Mr. Roberts.
Um aspecto técnico marcante para a distinção do formato televisivo do programa, para a vida real em que Vogel se encontra, é principalmente o formato da janela do filme, em que claramente, cada um destes momentos foram filmados de forma diferente, onde quando nos deparamos "assistindo" a "Um Lindo Dia na Vizinhança", nos assustamos com o formato quadrado da tela, típico de filmes antigos, mas de repente o formato muda, somos transportados para o mundo real da trama, com uma janela retangular, comum dos televisores atuais, e para quem pensa que esta mudança acontece poucas vezes ao longo do filme, se engana, as mudanças de janela cinematográfica são constantes, mas feitas com tanta maestria, que consegue nos transportar para a mesma vida de Vogel, ora como espectador do Show infantil, ora acompanhando com ele suas intrigas familiares e seus tramas no trabalho e nas dificuldades de entrevistar e compreender Roberts, ora nos emocionando com as musicas e fantoches com tanta facilidade, que praticamente ao longo do desenrolar da narrativa já nem notamos esta mudança tão busca de janelas.
A direção de atores é tanta, e a personalidade do personagens, construída com tanta perfeição, que é impossível não acreditar em sua veracidade e em como são fascinantes cada um á sua forma.
O longa, sendo completamente dramático, para os que não se identificam tanto com gênero pode se tornar cansativo, porém com tamanhas mensagens filosóficas e profundas passadas ao longo da trama, é impossível não querer assistir até o final, ou até mesmo descobrir qual será a próxima frase inteligente e humana que Roberts nos lançara para atingir nossos corações e nos fazer refletir.
Um Lindo Dia na Vizinhança claramente não é um filme para as massas, não é um filme que pode ser admirado por todos, mas claramente é um filme necessário, um filme lindo que nos trasporta para dentro de sua narrativa, ao mesmo tempo que nos faz viajar em meio a nossa própria história e a de todos ao nosso redor. É um filme para se assistir e refletir, para se aprender a viver. E como o próprio programa afirma, um momento de sairmos de nosso próprio eu e de nossa própria casa para conhecer nossa vizinhança.
Nota: 9,5
Uma nova visão: Das janelas de nossa casa, para janelas do cinema, para por fim abrir as janelas da alma.


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