“Os de verdade querem vidas de mentira e os de mentira querem vidas de verdade”
A frase acima, retirada do filme “A
Rosa Purpura do Cairo” de Wood Allen pode ser analisada de acordo com a própria
brincadeira do diretor ao longo do filme, pois tanto no filme como na vida
real, as pessoas buscam por vidas fictícias ao irem ao cinema com o intuito de
se envolver com a história transmitida, encontrar a “magia do cinema” de forma
que possam esquecer seus problemas do mundo real, divertir e se distrair,
encontrar seus próprios fantasmas interiores e saírem ilesas da sala escura,
mesmo após passarem por situações de medo e dor junto com os protagonistas,
pois nos filmes o pior pode acontecer, mas após aproximadamente duas horar o filme
tem fim e tudo é resolvido, mas a vida de verdade continua inalterada.
Apesar disso, o filme de Wood Allen
nos mostra outra perspectiva “os de mentira querem vidas de verdade”, em que os
personagens dos filmes buscam constantemente por algo a mais, que tem um desejo
interior de poderem realizar coisas a mais do que o que encontram em seus
roteiros, eles querem um mundo de possibilidades e liberdades, de forma que o
maior medo dos personagens é que o filme chegue ao fim e o projetor seja
desligado, onde tudo se torna escuro e não tem uma continuação. Os de mentira
também querem uma vida real, sem fim, mesmo que com problemas que não se
resolvem como no cinema.
Está mesma premissa Wood Allen utiliza
no filme “Tudo pode dar certo”, em que o próprio protagonista, quebra com a
quarta parede, dialogando com o espectador, ele mesmo acreditando saber como o
público se encontra na sala de cinema e com o desenrolar do filme, percebemos
que este mesmo personagem também é pessimista com relação à vida e que também
busca tranquilidade e resolução dos problemas ao se sentar na frente de uma
tela audiovisual, como na cena em que estava assustado e se acalma após se
envolver com a história transmitida na televisão de sua casa.
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