Crítica ao filme: O Ato de Matar, dirigido por Joshua Oppenheimer. (2014)
Banalização da Violência
No documentário de Joshua, o diretor cria relações entre
o público e os protagonistas do longa ao colocar em frente as câmeras,
verdadeiros gangsters, dispostos a relatar suas experiências de massacres
contra os comunistas na ditadura da Indonésia.
Esses relatos são surpreendentemente feitos com intensa
tranquilidade e naturalidade, gerando ainda mais desconforto no espectador,
possibilitando perceber a verdadeira banalização da violência por estes
assassinos, que encenam como em um teatro formas de morte, gerando incômodo e a
sensação de que podemos presenciar mais uma verdadeira cena de tortura em
frente as câmeras, realidade que nunca se concretiza.
Porém, cenas chocantes são sabiamente interrompidas por
cenas dos gangsters conversando naturalmente, rindo, contando piadas e dançando
como se não importasse tudo que fizeram no passado e que pudessem voltar a fazer
tranquilamente.
A forma de Joshua de realizar seu documentário é de muita
destreza e sabedoria, expondo totalmente a si mesmo e a realidade dos
gangsters, abismando completamente o público e fazendo com que estes próprios vejam
os assassinos como pessoas normais, com vidas normais, como se nada tivesse
acontecido, porém mostrando logo em seguida as formas de tortura e assassinato
a sangue frio, realizadas por esses homens que pareciam tão tradicionais.
Além disso, o próprio Joshua é citado em algumas situações,
mostrando sua própria interação com os protagonistas e com o filme, quebrando
com a quarta parede cinematográfica e proporcionando ao espectador ainda mais a
sensação de proximidade com a realidade demonstrada no filme.
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