Análise do filme: Nós que nos amávamos tanto
“Nós
que nos amávamos tanto” é um filme Italiano de Ettore Scola de 1974, ganhador
do Prémio César de melhor filme estrangeiro. O filme foi produzido retratando
uma Itália durante e depois da Resistência Italiana, o movimento contra o
fascismo, fazendo também, uma homenagem ao movimento neorrealista com criticas
a governo autoritário da época.
A resistência italiana ao fascismo é considerada
historicamente o fenômeno europeu de maior amplitude contra a ocupação alemã, é
um movimento que surge com estratégias de guerrilhas e após a invasão alemã no
país em 1943.
Este contexto histórico é retratado no filme de forma que
os personagens discutem sobre a política, costumes sociais e formas de vida e
tratamento da época, tentando se reestabelecer com seus dilemas cotidianos no
mundo pós guerra, com a resistência ao nazismo e o engajamento político nos
anos 60.
Além disso, o filme de Ettore Scola faz esta homenagem também
ao Neorrealismo italiano, pois este foi um movimento cultural originário da
Itália pós 2ª Guerra Mundial em que as maiores influências ocorreram no cinema
local, em que seus filmes passaram a apresentar a realidade social e econômica
da época, assim como Ettore o dia a dia sob o ponto de vista dos três
protagonistas.
Ettore Scola retratou em seu filme uma espécie de micro
esquerda da época, em que personagens comuns, com seus dilemas comuns e éticos
enfrentam a tentativa de se manter com esperança em um mundo em que não tem
poder e enfrentam diariamente a sensação de impotência em frente a seus
problemas em sua realidade. O filme “Nos que nos amávamos tanto” é considerado
assim um filme de grande reflexão sobre as incertezas da sociedade esquerdista.
Um fator importante na construção do filme também é a
homenagem feita para o também diretor de cinema Felini, de modo que este
representa a si mesmo no filme como um trapaceiro e mentiroso que nunca para de
mentir, característica muito presente nos filmes deste diretor.
“Nós que nos
amávamos tanto” é denominado também um filme do gênero de comédia dramática,
sendo que os filmes deste gênero são caracterizados assim por apresentarem uma
história séria, com toques de humor e ainda com uma narrativa em que os
personagens buscam a realização pessoal, passando por dificuldades cômicas, mas
que no final chegam ao desejado final feliz, pode- se constatar que o filme se
encaixa no gênero, pois ao longo de todo o filme, conseguimos rir e nos
emocionar junto com os personagens, ver e analisar suas dificuldades tanto
pessoais, quanto a quem amar, como de qual a maneira correta de se portar em
sua época por fim, chegar ao tão esperado final feliz.
O público alvo do filme parece ser
em sua maioria para mulheres adultas, pois a construção da narrativa e dos
personagens de modo que o momento em que se apaixonam é muito nítido e sem
disfarces, além do aspecto teatral incrementando no inicio do filme, em que com
a incidência de uma luz sobre um personagem único e automática a paralização dos demais ilustra um
monólogo em que é apresentado com clareza os pensamentos e as motivações do
mesmo. Há uma verdadeira mistura entre realidade e dramaturgia na narrativa.
Também
considerei diferenciada a forma como foi apresentado o conflito e também a
montagem das cenas iniciais, pois estas geram uma dúvida no espectador quanto
ao período retratado, pois ocorrer a repetição de cenas em sequência com
pequenas alterações nestas, seguidas também pela mudança do filme colorido para
o filme em preto e branco que evidencia o retrato do passado e o contexto
social, além de caracterizá-lo como filme de época.
Na
metade do filme, este finalmente volta a ser colorido, expressando a mudança de
tempo para o presente, até chegar às já apresentadas inicialmente e completando
o ciclo da narrativa. É uma brilhante e revolucionaria construção do roteiro e
montagem.
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